Tabuinhas de Lavar

Nota Cooking: Contribuição do blog Oficina das Papitas! Original aqui. 🙂

Tudo perdura no tempo,  mas torna-se tão pálido como aquelas fotografias muito antigas que ainda foram fixadas em chapas metálicas. A luz e o tempo retiram das chapas as tonalidade nítidas e características dos traços. É preciso rodar a fotografia e encontrar uma certa refracção da luz para podermos reconhecer na obscura chapa metálica a pessoa cujas feições foram absorvidas pela placa. Deste modo se desvanecem  no tempo todas as lembranças humanas. Mas um dia, a luz cai de um lado qualquer e tornamos a ver um rosto, um momento, uma parte de vida.

– Hoje vamos fazer bolachinhas. “Tabuinhas de lavar”.

As meninas, na sua batinha branca, protegida com pequenos aventais, mergulhavam as suas pequenas mãos na farinha transformada em massa de bolachinhas, sobre uma mesa grande debaixo de um caramanchão.

– Mamã, hoje aprendemos a fazer “Tabuinhas de lavar”. Posso fazê-las para o lanche?

As pessoas só se recordam dessas coisas mais tarde. Passam dezenas de anos, atravessam estepes e florestas e, de repente, ouvem os risos de infância, as palavras das professoras, as benevolências da mãe, as palavras antigas.

E aí, apercebem-se que viveram, há muitos anos idos, numa condição maravilhosa, sem nome, num certo estado de graça.

Nada é tão delicado como as relações de infância. Tudo o que a vida oferece mais tarde, os desejos subtis ou brutos, os sentimentos fortes, as ligações de amizade ou paixão, tudo isso é mais rude, mais desumano.

Hoje, partilho convosco, um pedaço da minha infância onde a luz caiu, de um lado qualquer.

????????Ingredientes:

0,5 Kg de farinha de trigo

200g de manteiga

200g de açúcar

1,5 colheres de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

3 ovos.

Preparação:

Quem tem Thermomix / Bimby, deverá colocar todos os ingredientes no copo, excepto os ovos, durante 2′ à velocidade 3. Deitar os ovos e marcar mais 2′ à velocidade 4.

A massa fica pronta a ser utilizada. Porém, e para melhor moldar, deverá ser refrigerada no frigorífico durante 30′.

Quem fizer manualmente, deverá deitar a farinha sobre a bancada, abrir uma cova no centro e deitar aí o fermento e a manteiga. Ir amassando com as pontas dos dedos para não amolecer muito a massa. Imcorporar o açúcar e, por fim, os ovos um a um.

Formar rolinhos pequeninos e espalmá-los. Com um garfo enfarinhado, fazer pressão sobre um dos lados das bolachas de modo a formar  sucalcos semelhantes ao efeito das antigas tábuas de lavar a roupa.

Levar em tabuleiros untados ou forrados com papel vegetal ou silicone ao forno pré aquecido a 200ºC durante cerca de 15′ ou até estarem douradinhas. Retirar e arrefecer sobre uma grade.

Esta quantidade rende entre 45 e 50 bolachinhas.

Esta receita, que julgava perdida, foi preservada por uma das meninas da bata branca que gentilmente partilhou com as amigas, passados tantos anos. Obrigada, querida B.

(Imagem cedida pela autora) Maria Papitas – Oficina das Papitas.

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